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sábado, 22 de dezembro de 2012

Poema de Natal





Poema de Natal

Para isso fomos feitos
para lembrar, e ser lembrados
para chorar e fazer chorar
para enterrar os nosso mortos.
Por isso temos braços longos para os adeuses,
mãos para colher o que foi dado,
dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida
uma tarde sempre a esquecer,
uma estrela a se apagar na treva,
um caminho entre dois túmulos.
Por isso precisamos velar,falar baixo,pisar leve
ver a noite dormir em silencio
não há muito o que dizer
uma canção sobre um berço,
uma verso talvez de amor,
uma prece por quem se vai.
mais que essa hora não esqueça
e por ela os nossos corações se deixem graves e simples,
pois para isso fomos feitos.
Para a esperança do milagre,
para a a participação da poesia,
para ver a face da morte.
De repente nunca mais esperaremos.
Hoje a noite é jovem
Da morte apenas nascemos...imensamente

Vinícius de Moraes (Autor / Voz)


Fonte: http://www.vagalume.com.br/vinicius-de-moraes/poema-de-natal.html
 

domingo, 23 de setembro de 2012

O Jardim das Borboletas - Mário Quintana





O Jardim das Borboletas - Mário Quintana*

Com o tempo você vai percebendo que
para ser feliz com outra pessoa,
você precisa em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa que você ama
ou acha que ama, e que não quer nada com você,
definitivamente, não é a pessoa da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e,
principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...
é cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar,
não quem você estava procurando,
mas quem estava procurando por você!


*Ver biografia:  http://pensador.uol.com.br/autor/mario_quintana/biografia/

Adoro este poema e adoro borboletas! :)

domingo, 18 de março de 2012

Poemas - Victor Hugo





Poemas - Victor Hugo

Autor: Victor Hugo
Edição /Reimpressão: 2002
Páginas: 64
Editor: Assírio & Alvim
Selecção e Tradução: Manuela Parreira da Silva


Gostei muito de ler este livro! Aqui ficam três poemas... :)


Qual é o fim de tudo? a vida ou a tumba?

Qual é o fim de tudo? a vida ou a tumba?
A onda que nos sustém? ou a que nos afunda?
Qual a longínqua meta de tanto passo cruzado?
É o berço que embala o homem ou é o seu fado?
Seremos aqui na terra, nas alegrias, nos ais,
Reis predestinados ou simples presas fatais?

Ó Senhor, responde, responde-nos, ó Deus forte,
Se condenaste o homem apenas à sua sorte,
Se já no presépio o calvário se anuncia
E  se os ninhos sedosos, dourados pela manhã fria, 
Onde as crias vêm ao mundo por entre flores,
São feitos para as aves ou para os seus predadores.

24 de Março de 1837


As minhas duas filhas

No fresco claro-escuro da bela tarde que tomba,
Uma me lembra um cisne, e a outra uma pomba,
Muito belas, muito alegres, ó suavidade!
Vede, a irmã mais velha e a de menos idade
Sentadas junto ao jardim; e para as duas olhando,
Um ramo de cravos brancos, com os caules pousando
Num vaso de mármore, agitado pelo vento,
Sobre elas se inclina, imóvel e atento,
E tremendo na sombra, parece, assim curvado,
Um voo de borboletas em êxtase parado.

La terrasse, perto de Enghien, Junho de 1842



Unidade

Por cima do horizonte de colinas sem cor,
O sol, essa flor de infinito esplendor,
Se inclinava sobre a terra à hora do poente;
Uma humilde margarida, no campo florescente,
Sobre um muro cinzento, entre a aveia a vibrar,
Branca, sua cândida auréola faz desabrochar;
E a pequenina flor, sobre o seu velho muro,
Fixamente olhava, no eterno azul tão puro,
O grande astro que a luz imortal envia.
- E eu, eu também tenho raios! - lhe dizia.

Granville, Julho de 1836